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Uma análise de Charis Carelli, nossa colunista e coach de desenvolvimento pessoal, sobre a importância de entender, respeitar e digerir os nossos sentimentos e emoções diariamente

Se vivemos em um mundo frenético, sempre consumidas por demanda externas, tudo tem o potencial de se tornar a gota d’água. O/A chefe que faz um pedido descabido e com o prazo curto demais. A família que tem suas complicações e isso te tira do sério. O Uber que demora pra chegar e atrapalha o seu cronograma. A convivência desafiadora e intensa em casa. A lista é infinita. Mas veja, existe algo em comum em todos a itens dessa lista: são coisas fora do seu controle.

(pausa para aceitação, antes de continuarmos a conversar)

Muitas vezes nós interpretamos mal as coisas. Achamos que são essas gotas que fazem o nosso copo transbordar e a nossa paciência ir pro espaço. Mas isso não é verdade. Vamos lá, pense em um copo preenchido de um líquido verde. Se pingar uma gota amarela, vai transbordar verde mesmo. O que faz ele transbordar não é a gota de fora, mas todo o conteúdo que já está dentro. Não podemos culpar 1ml quando já estamos preenchidas em 1l. 

O que é o conteúdo do copo? As coisas que normalmente podemos controlar. As nossas horas de sono. Ter um tempo para se dedicar ao seu hobbie. Poder ter momentos de autocuidado na sua semana. Trabalhar com algo que você se identifique. Os não necessários para tornar as nossas relações mais saudáveis. Essa lista também é infinita – e super pessoal / intransferível. 

Cada uma de nós sabe exatamente o que precisa fazer pra respirar. Pra se conectar consigo. Pra viver uma vida leve. Para, literalmente, esvaziar o copo. Quando vivemos com o nosso copo fora da zona de perigo, temos espaço para contratempos, imprevistos, pequenos atritos e até alguns problemas mais sérios. Nossa inteligência emocional está diretamente relacionada à nossa saúde mental, e é isso que estou chamando aqui de esvaziar o copo. 

Gastar energia tentando controlar as gotas que vem de fora só esgota, porque é missão impossível. Mas se concentrar em melhorar a parte da sua vida que está no seu controle é bastante corajoso, isso é autorresponsabilidade. 

Se essa reflexão fez sentido pra você, sugiro que durante uma semana você termine o seu dia avaliando o seu copo. Quantifique as coisas, pergunte-se: quantos % do meu copo está cheio hoje? Estou prestes a transbordar? Tem espaço para pequenos desconfortos? Pense sobre a sua satisfação ou não com o resultado dos números. 

A vida vai incomodar. Vai pingar várias e várias vezes, às vezes mais de uma vez ao dia. As pessoas, o trabalho, os problemas, tudo isso é orgânico, dinâmico e tem vida própria. Quanto mais vazio estiver o nosso copo, melhor lidamos com tudo. 

Ah, e claro. Vale dizer que em alguns momentos a vida vai trazer uma onda toda de repente. Quando isso acontecer, transborde. Não repreenda seus sentimentos e emoções. Desague (e chore) o quanto precisar. Mas reserve seus créditos para quando isso realmente acontecer em uma intensidade desafiadora. Porque nas gotas do dia a dia… elas não deveriam ter o poder de te tirar de si.

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