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Com o avanço da vacinação, muitas pessoas começaram a sentir ansiedade e pânico ao lidarem com situações sociais. Investigamos o porquê e como entender esse sentimento

Sentir receio, confusão e fazer um grande esforço para seguir em frente ao surgir um evento social ou qualquer questão que precisa ser resolvida fora de casa. A frase poderia estar no diário de Sheldon Cooper, personagem do sitcom The Big Bang Theory que, de maneira divertida, apresenta inúmeros sintomas de fobia social. Mas, na vida real ela é bem menos risível e tem sido o dia a dia de muitas pessoas que estão retomando as demandas sociais aos poucos depois de quase dois anos em isolamento.

Com o avanço da vacinação no Brasil e no mundo, a volta dos encontros com os amigos, as reuniões presenciais e até as festas, que pareciam um sonho inatingível, vêm se tornando cada vez mais possíveis muito em breve. Mas, assim como quando alcançamos um objetivo até então inalcançável, esse desfecho vem com um fardo. “É importante compreender que o isolamento social fez com que as pessoas lidassem com suas individualidades. Voltar a se relacionar com o outro tem um peso grande no que diz respeito a ter que lidar com pessoas e situações que não queremos.

O medo da interação está ligado principalmente a ter que sair de um lugar teoricamente seguro. Outro motivo é o medo relacionado ao invisível, o vírus, e a sensação de não termos controle do que pode acontecer daqui pra frente”, diz o psicólogo Thiago Holland. “Quem passa por isso, tem sintomas semelhantes aos do transtorno de fobia social: medo, ansiedade, falta de ar, aflição e pânico são alguns deles”.

É o que tem acontecido com a publicitária e ceramista Maria Fernanda Galetti, que, desde a chegada do Coronavírus no Brasil, em março de 2020, saiu de casa apenas para resolver questões urgentes, como ir a farmácia e ao supermercado, e encontrou poucas pessoas do seu convívio até muito recentemente. “Ao mesmo tempo que tenho muitas saudades de encontrar as pessoas que gosto, retomar as aulas de dança presenciais, as saídas, os bares e festas, e, principalmente, o toque e o olho no olho, sinto que não só tenho um pouco de receio por não saber se estamos seguros, mas também que precisarei fazer um esforço maior pra sair do hábito de ficar e resolver (quase) tudo de casa”, diz.

Ainda que seja um sentimento que têm ganhado luz neste momento por motivos óbvios, é importante ressaltar que ele não é algo recente. “A dificuldade de se relacionar tem sido discutida desde que começamos a viver atrás das telas de celulares e computadores. Muitas dessas pessoas já estavam num processo de isolamento bem antes da pandemia”, diz Thiago. Caso da própria Maria Fernanda, que, mesmo sentindo mais recentemente as consequências do viver praticamente só, já estava introspectiva antes da disseminação do vírus. “

Mas, como driblar esse sentimento?
De acordo com Thiago, a pergunta, na verdade, é: por que driblar esse sentimento? “É lidando com as emoções que podemos nos curar delas. Não existe uma fórmula única e nem mágica para isso. É importante que as pessoas reconheçam essas sensações e sentimentos e, assim, consigam falar sobre o que sentem. A pandemia foi um gatilho grande para quem nunca conseguiu olhar diretamente pra si e para suas emoções. Autoconhecimento é a chave para que consigamos compreender nossos próprios limites”.

Na busca por esse auto entendimento, Maria Fernanda intensificou a frequência de terapia. “Faço semanalmente. Também tenho apoio e longas conversas com amigos próximos sobre o assunto. Além de ter passado a explorar melhor meus próprios sentimentos, respeitar mais minhas vontades, prestar atenção à minha alimentação e apostar em óleos essenciais, que me ajudam em momentos específicos”, diz. “Terapia é importante nesse e em qualquer momento da vida. É o que nos dá ferramentas internas para lidar com as questões advindas da pandemia e também as que todo ser humano carrega na sua individualidade”, completa Thiago.

O momento de olhar pra si, claro, também traz novas perspectivas. “Ao mesmo tempo que a pandemia me privou da convivência com aqueles mais distantes, passei a ter um volume maior e com mais frequência de ligações por vídeo com amigos mais próximos e, com isso, trocas de mais qualidade. Acho que, daqui pra frente, a minha relação com as pessoas não vai ser mais a mesma, principalmente por sentir o quão melhor são as relações que têm profundidade”, diz Mafe. É sobre isso.

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