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Conversamos com o psiquiatra de mais de 50 anos de experiência, Dr. Itiro Shirakawa, para entender por que o uso de álcool e drogas pode disparar a ansiedade e outros efeitos colaterais 

A bad trip pode ser traduzida como uma “viagem ruim” e pode acontecer após o uso de álcool e outras substâncias psicoativas, como drogas naturais, sintéticas ou semi-sintéticas. Existem muitas variáveis que podem acarretar uma experiência desconfortável com essas substâncias e é importante ressaltar que cada “bad trip” é muito subjetiva e depende, principalmente, da qualidade e quantidade da droga consumida, além do estado emocional do usuário.

O psiquiatra e membro do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dr. Itiro Shirakawa, alerta: “essa reação pode acontecer depois do uso de qualquer tipo de droga, e reflete o estado psíquico da pessoa no momento do consumo”. A substância potencializa os sentimentos da pessoa e, invariavelmente, provoca um desbalanceamento da neuroquímica do cérebro. 

O que acontece, segundo o especialista, é que as drogas excitantes aceleram a neurotransmissão, acarretando em uma cascata de liberação de dopamina de forma desgovernada. Como tudo no nosso organismo é feito com equilíbrio, qualquer interferência que quebre essa harmonia pode causar ou agravar quadros de ansiedade e psicose. 

Efeito dominó

Dr. Itiro conta que há cerca de 100 bilhões de neurônios que dependem dos “carteiros químicos”, ou seja, neurotransmissores essenciais como dopamina e serotonina, por exemplo. 

“Quando se faz uso de álcool e outras drogas, em qualquer quantidade e frequência, existe um desequilíbrio na funcionalidade química do nosso cérebro — e, quando um neurotransmissor desanda, os outros também são prejudicados. O perigo é que sentimentos comportamentais ainda naturais como ansiedade e tristeza podem se tornar funcionais com o passar do tempo e repetição de uso dessas substâncias. E aí, podem se tornar transtornos de ansiedade, bipolaridade e até esquizofrenia, se houver predisposição genética”, alerta o especialista.

As sinapses afetadas iniciam um efeito dominó — cuja aceleração ou diminuição da velocidade comprometem a sintetização de neurotransmissores responsáveis por regular nosso humor, ritmo cardíaco, sensibilidade, função cognitiva e controle das emoções. Isso configura sempre uma imprevisibilidade de reações físicas, porque tudo depende do estado emocional e físico do usuário e da qualidade e quantidade de cada composto ativo presente na droga.

Bem como perigos psicológicos e psiquiátricos, o nosso físico também é colocado em ameaça com o uso de substâncias psicoativas. Existe sempre o alerta para dirigir embriagado, eventuais violências, como brigas e abuso sexual, e, também, chances de ataques cardíacos. 

Drogas ilícitas como ecstasy e metilenodioximetanfetamina (popularmente chamadas de bala e MDMA, respectivamente), são conhecidas por causar euforia e animação. Entretanto, podem aumentar a temperatura corporal causando febre e, em casos graves, podendo levar até à morte. Na lista dos perigos físicos estão também o infarto, AVC e outros problemas cardíacos, visto que as anfetaminas provocam um envelhecimento do coração — usuários com problemas congênitos não diagnosticados ou com predisposição genética a doenças cardiovasculares correm risco de vida. 

Drogas ilegais tem ainda mais perigo pela falta de padrão 

De acordo com o Dr. Itiro, o caso das drogas ilegais apresenta ainda o agravante da imprevisibilidade dos seus compostos. “A maconha tem mais de 100 princípios ativos e, quando não certificada, estes não podem ser dosados e controlados”, explica.

No caso da maconha, as duas principais substâncias são o THC e o canabidiol. Quando ilegal, a maconha vem sempre diferente: ora com mais THC (psicoativo), ora com mais canabidiol (tranquilizante). Essas diferenças de composições e dosagens são, justamente, o que pode levar a episódios de crise de ansiedade ou ataques de pânico — ou outros tipos de bad trips. 

“Por isso, drogas lícitas e ilícitas não podem ser válvulas de escape, já que representam perigos reais de desbalanceamento químico na nossa mente. É importante ressaltar, inclusive, que essas substâncias são responsáveis por dobrar os casos de doenças funcionais e a necessidade de intervenção psicotrópica”, alerta o psiquiatra.

A ausência de regularização dessas substâncias só fazem aumentar as chances de reações adversas. 

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