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Conhecido como “hormônio do estresse”, o cortisol desempenha funções importantes no nosso corpo. Aqui, um guia de como manter seus níveis adequados

“Quem não está com o cortisol alto, não mora no Brasil”, a piada que permeou a conversa de alguns brasileiros no último ano pode até despertar um sorrisinho, mas não faz exatamente sentido. “Conhecido como “hormônio do estresse”, o cortisol é produzido pelas glândulas adrenais e uma de suas principais funções é nos manter alerta, nos preparar para situações de luta e fuga. Mas, isso não significa que ele seja indesejado. Pelo contrário, é de vital importância para o corpo humano e alterações em suas dosagens podem levar à sérios problemas”, diz o Dr. Rafael Buck Giorgi, endocrinologista e Coordenador do Ambulatório de Adrenal da disciplina de Endocrinologia da PUC-SP.

Por ser popularmente associado com sintomas desagradáveis, com nervosismo, aparição de acne, alteração de peso, entre outros, o cortisol ganhou fama de vilão. Mas, embora seja verdade que seus altos níveis podem resultar nos sintomas mencionados (entre outros), a fama não faz jus a realidade: nós precisamos dele. “Situações estressantes ao nosso organismo, como doenças graves, um acidente ou a necessidade de fazer uma cirurgia, fazem nosso cortisol se elevar 3-4 vezes. E é importante que isto aconteça, faz parte da nossa resposta imunológica e pode ajudar o corpo a reduzir a inflamação. Porém, ao contrário do que se acredita, o estresse emocional não eleva consideravelmente o cortisol”, diz Dr. Rafael. Ele é ainda um dos hormônios sexuais e essencial à vida. 

Cortisol alto x cortisol baixo

É importante notar que, diferentemente do que se acredita, é raro nos depararmos com doenças causadas por excesso ou falta de cortisol. “A doença de Cushing, causada pelo excesso de cortisol, é uma situação bastante incomum. Apesar de popularmente se associar o estresse do dia a dia com esta elevação, na verdade ela é consequência do estresse e não o contrário. Quando em excesso, diversos sintomas podem ocorrer como ganho de peso, aparecimento de diabetes, hipertensão e alterações dos níveis de colesterol, manchas arroxeadas pelo corpo, osteoporose, dentre várias outras. Já a deficiência de cortisol é chamada Insuficiência Adrenal e também é rara. Pode ocorrer após algumas infecções como HIV e tuberculose ou estar associado à outras doenças autoimunes, como hipotireoidismo, diabetes tipo 1, artrite reumatoide, etc”, explica Dr. Rafael.  

Mas, não é tão simples assim medir o cortisol. “Vale ressaltar que esse não é um exame de rotina e algumas coisas interferem, como uso de anticoncepcional e reposição hormonal, por exemplo”, alerta Dr. Rafael. Como os níveis desse hormônio variam durante o dia (ou seja, é possível acordar com o cortisol alto e ter uma queda com o passar das horas ou vice e versa), a principal maneira de saber realmente se seus níveis de cortisol estão normais é por meio de exames de sangue, saliva ou urina no consultório médico. 

Mas, dá para tentar controlar os níveis de cortisol?

Se você receber um diagnóstico de alto ou baixo nível de cortisol, sim, é possível reavaliar o dia a dia para ajudar na melhora do quadro. “Manter hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas, ter uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, o etilismo e tratar possíveis fatores estressantes, como depressão e outras doenças, faz não só o cortisol se manter em níveis normais, como diversos outros hormônios em nosso organismo”, diz Dr. Rafael.

Acha que seus níveis de cortisol podem estar baixos ou altos? O mais importante é consultar um médico para ter certeza e, então, vocês podem trabalhar juntos e começar a colocar algumas soluções em prática. O cortisol, como qualquer hormônio, não é bom ou ruim, apenas é. Ou seja, não existem segredos para a diminuição do estresse no dia a dia, o que vale mesmo é manter uma conexão entre corpo e mente – não apenas para a manutenção de certos hormônios, mas para todo o restante. Como a maior parte da vida, tudo se resume ao equilíbrio.

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