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O relato sincerão da jornalista Laura Jabur sobre o seu amor pandêmico – e muito bem sucedido!

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Se antes da pandemia encontrar uma paixão já não era uma tarefa simples, durante a quarentena, ou melhor, “carentena” – como o período foi apelidado pelos internautas -, a missão me pareceu quase impossível. Depois de meses isolada, no ápice da libido e com dívidas no cartão de crédito por parcelamentos de sex toys, voltar para os aplicativos de relacionamento me pareceu ser uma boa ideia.

Eu estava longe das plataformas já há algum tempo – além de ter enjoado da dinâmica e me frustrado após algumas desilusões, eu sentia que deveria deixar isso de lado e ir em busca de um amor mais natural, espontâneo. No fim das contas, bobeira. Nós passamos o dia todo no celular, todas as nossas relações pessoais passam pela esfera tech… Por que não achar um amorzinho também por aqui?

Bom, voltei a não apenas um, mas a três apps diferentes, em busca de novos rostos e conversas com possíveis crushes que eu provavelmente julgaria pelo signo ou posição política, rs. Alguns papos fluíram, outros nem tanto, tiveram aqueles que evoluíram para a troca de Instagram, WhatsApp, fotos… E pararam por aí, com direito a ghostings. Foram poucos que incitaram a vontade de encontrar pessoalmente, afinal, durante uma pandemia, o desejo tinha de ser grande para me gerar curiosidade a ponto de me tirar de casa. Desanimei.

Eis que, no começo do ano, depois de idas e vindas aos aplicativos, fui viajar para a praia e tive uma vontade imensa de viver um amor praiano (quem nunca!?). Reinstalei o app eleito favorito, e, surpreendentemente, surgiu um boy muito gracinha, com fotos usando capacete de bicicleta, tatuagens no braço, cabelo enroladinho, jornalista e com a descrição: “vai ter bolo de maçã e muito chamego”.100% meu número. Assim que demos match, escrevi “bonito demais”. Em poucos minutos, ele respondeu o mesmo e, com muito humor e inteligência, engatamos uma boa conversa.

Alguns meses passaram assim, com papos ótimos, e finalmente combinamos de nos encontrar pessoalmente. Quando cheguei ao andar do seu apartamento, ele estava com a porta entreaberta me esperando, e o primeiro detalhe que observei foi a tatuagem de mariposa embaixo do joelho. Eu amo mariposas. “Já era, vou me apaixonar” – me veio em pensamento. Tirei a máscara, nos cumprimentamos e passamos a noite conversando sobre tudo – profissão, desejos, família, amigos, medos, comidas e planos futuros… Durante a madrugada, ficamos intensamente e, ao mesmo tempo, carinhosamente, e mais tarde pedimos pizza no delivery.

No final da noite, me senti completamente apaixonada – e esse ainda é o sentimento que mora em mim até hoje. Encontro João, agora meu namorado, toda semana e compartilhamos cada vez mais prazeres como cozinhar, divagar sobre a vida, pedalar e ver filmes. Também nos apoiamos em momentos difíceis. Para continuarmos nos encontrando, temos o combinado de nos isolar ao máximo para garantir a segurança de ambos. Esse respeito mútuo foi fundamental para o relacionamento continuar fluindo bem.

A verdade é que, por mais que histórias como essa aconteçam frequentemente no mundo virtual, não imaginava que encontraria um amor num APP. Eu dizia que não queria entrar em um relacionamento sério, e, quando vi, estava totalmente envolvida e entregue ao boy e a essa paixão breguíssima, cheia de apelidos e manhas. É maravilhoso estar amando, torcendo e cuidando de alguém e sentir o mesmo carinho do outro. Por fim, deixo meus agradecimentos aos aplicativos de paquera e uma pontinha de esperança a você, que já baixou e apagou aplicativos várias vezes e acha que não vai conhecer alguém tão cedo. Dá mais uma chance, vai?

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