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Tatiane Pinheiro, terapeuta Ayurvédica, ensina formas de amenizar a sensação de estufamento, intestino preso devido aos excessos alimentares de fim de ano. Vem ver!

Ah, o Natal… É ele o pontapé inicial para um dos períodos mais aguardados do ano. As festas trazem consigo promessas de momentos bons, reencontros especiais e, claro, muita comida.

Por mais que sejamos conscientes e busquemos viver uma rotina saudável, não podemos nos enganar: neste período de festas, temos uma tendência a “enfiar o pé na jaca”, não é verdade? Seja com bebida ou comida, o clima de festividades tem um apelo de excessos. A questão, então, fica em como blindar o nosso corpo e conseguir digerir melhor.

Para encontrar respostas e algumas soluções possíveis (e dentro da realidade das férias e recesso), conversamos com a terapeuta ayurvédica Tatiane Pinheiro para entender como o nosso organismo reage quando vivemos esse período de festas de uma forma mais intensa. 

Além do autocontrole e autoconhecimento dos próprios limites, na linha da redução de danos, é igualmente importante saber como podemos evitar e resolver desconfortos abdominais como má digestão, gases, intestino preso ou solto demais – consequências de exageros na comida ou bebida alcoólica. 

A seguir, ela entrega todas as recomendações para que possamos driblar os excessos de final de ano.

Holistix: Durante o Natal e festas de Ano Novo, quando saímos da rotina, costumamos comer bastante, mesmo sem estar com fome. Quais são os efeitos disso no nosso organismo? 

Tatiane Pinheiro: O corpo gosta de um padrão, um ritmo. Qualquer mudança brusca de rotina, como a alimentação tradicional das festas de final de ano e os horários de dormir e acordar que são geralmente muito impactados, vão confundir o corpo. Essa confusão pode impactar na forma como dormimos e digerimos os alimentos, fazendo com que o cansaço seja confundido com fome, e o comer sem fome, por sua vez, vai gerar peso, estufamento, gases, queimação, etc.

H: Como podemos “blindar” nosso organismo desses desconfortos?

TP: A melhor forma de não sofrer tanto é não alterar tanto a rotina. É, sim, época de festas (com máscara e segurança), mas se você é habituado a dormir cerca de 23h, tente evitar virar a noite em claro, por exemplo. Se você bebe pouco álcool, evite beber muito além do habitual, e o mesmo vale para os alimentos. Se você faz 2 a 3 refeições por dia, evite passar os dias beliscando muito entre as refeições. O segredo é chegar às festas saudável, pois assim o corpo consegue administrar melhor as mudanças e encontrar o meio termo entre o corpo que se beneficia com a rotina e nosso espírito festeiro que quer viver como se o mundo fosse acabar amanhã.

H: Tomar chás ou fazer algo antes da refeição pode ajudar? Se sim, quais as especiarias indicadas? 

TP: Mascar (e não engolir) uma lasquinha de gengibre fresco cerca de 45 minutos antes da refeição e uma xícara pequena de infusão de gengibre morninha cerca de 20 minutos após a refeição pode ajudar no processo digestivo. A cúrcuma e pimentas também são excelentes aliadas da digestão, podendo estar presentes nos preparos de alguns alimentos e em forma de chá após a refeição. 

H: De acordo com o Ayurveda, a gente aprende que “você é o que você digere”. Como podemos entender e interpretar quando o corpo fala que não está feliz com algum alimento? 

TP: Quando o corpo não está feliz com nossa rotina alimentar ele demonstra através de cansaço ao longo do dia, gases e estufamento, intestino preso ou solto, azia e queimação, dificuldade na concentração, acne e todas as desarmonias que são comuns no dia a dia, mas não deveriam ser normalizadas. Para a visão do Ayurveda, o processo de digestão deve ser eficiente e garantir saúde e vitalidade. A ineficiência da digestão nos leva à sobrecarga do corpo, que por sua vez dá início ao processo de doenças.

H: O que você indica para aquele momento de “enfiei o pé na jaca. E agora?”

TP: A melhor indicação é aguardar a fome real aparecer. E isso não significa ficar dias em jejum, mas esperar o estômago estar leve novamente. Quando comemos além da nossa capacidade digestiva, é comum nos sentirmos “empachados” e sem apetite – mas o problema é que as pessoas normalmente ignoram essa sensação e seguem comendo as refeições somente pelo hábito. Ao sair da rotina habitual, é suficiente voltar para ela e o corpo se regenera sozinho.

H: Qual conselho você daria pro fim de ano seguindo a linha do “Ayurveda da vida real”?

TP: Além de seguir as sugestões anteriores, o meu melhor conselho é entender a origem do comportamento exagerado que é tão comum nessa época. Para muitas pessoas, as comidas de final de ano são realmente tradições somente dessa época, e assim passa-se o ano inteiro sonhando com o delicioso pavê da tia ou a torta de limão da avó. Quando identificamos essa origem, trazer os alimentos para a rotina do ano todo pode ser uma tática valiosa: perde-se a gana pela torta de limão inédita de fim de ano quando podemos consumi-la outras vezes durante o ano. Os alimentos deixam de ter característica de “proibidões” e passam a fazer parte da rotina. Outro fator que também nos incentiva a extrapolar é a liberdade e férias do trabalho que o período de recesso do final de ano traz, como se fosse uma compensação emocional após períodos difíceis. Nesse caso a avaliação que precisamos fazer é o quão satisfeitos estamos com nosso trabalho e rotina no geral. Por fim, precisamos avaliar o que é mais importante para nós: estar leve e bem disposto, se sentindo saudável, ou viver como se não houvesse amanhã, precisando contornar ressacas e desconfortos físicos. São escolhas, não há certo ou errado.

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