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Nicole Vendramini conta sobre seu primeiro contato com sex toys e como essa ferramenta se tornou um dos mini-hábitos Holistix. Afinal, falar de prazer feminino é falar de saúde.

Eu ganhei meu primeiro vibrador de um namorado. Era pequeno, discreto e delicado (como ele fez questão de reforçar ao me dar). Lembro de, no meio de uma festa na casa de uma das minhas melhores amigas, entrar no quarto e ouvir de três jovens com seus 20 e poucos anos e expressões de aprovação: “Nossa, seu namorado é incrível”.

Há dez anos, o cenário era diferente, claro. Mas quer saber? Não sei se caminhamos tanto assim. Apesar de hoje falarmos sobre masturbação e prazer feminino com (um pouquinho mais de) naturalidade, outro dia mesmo recebi um print de WhatsApp de uma amiga para quem dei de aniversário nosso Zum, o sugador clitoriano da Holistix. Na imagem, um trecho da conversa do seu grupo de amigas com  uma foto do presente – o vibrador – e uma resposta entusiasmada de outra integrante do grupo: “Meu namorado me deu de surpresa para usarmos juntos!”. E eu, que já havia passado por uma situação semelhante, acabei me pegando no pulo ao aprová-lo mentalmente: “Hum, que moderninho”.

A verdade é que pensamos muito antes de colocar no mundo o primeiro vibrador da Holistix – que honra toda sua fama, devo dizer. Nosso questionamento era como uma empresa que nasceu para falar sobre saúde e hábitos saudáveis encontraria espaço para introduzir na rotina das mulheres um brinquedo sexual? Ele realmente cabia dentro do nosso universo enquanto marca? Seria possível descolar seus reais benefícios da narrativa (já bastante gasta) do autocuidado, bem-estar e ritual de relaxamento para ir além?

Eu me perguntava se um objeto que estimula diretamente um órgão íntimo e simula a sensação física de sexo oral (sim, isso mesmo) poderia ser uma ferramenta de real impacto nas nossas vidas e rotinas. E essa reflexão me levou pra bem mais longe: além de descobrir que sim, esse é um hábito que pode de fato reduzir o estresse e melhorar o humor (pelas cargas de neurotransmissores disparadas durante a masturbação – e isso tem tudo a ver com saúde!), percebi – relembrando a repercussão do meu primeiro vibrador – que estamos falando de um tema social (alô, patriarcado!) que impacta outras esferas da minha vida.

Esse clique veio de uma conversa com uma amiga e “holistiquer” (fã de mini-hábitos saudáveis), que discursou lindamente sobre o que eu não ousaria nem tentar colocar em melhores palavras: 

Acho que enfim estamos descobrindo a profundidade do clitóris. Como ele é, sim, um órgão de estimulação e reação automática. Assim como a gente sabe que um pênis estimulado vai ejacular, agora é nossa vez de saber que um clitóris, mesmo que mecanicamente estimulado, vai chegar ao orgasmo. Caiu a falácia da mulher ter que ter envolvimento emocional e imaginar o príncipe encantado pra gozar. Tocou do jeito certo, vai gozar”.

Essa fala mexeu muito comigo. Ela me impactou imediatamente porque tocou em um conceito que eu nem sabia que estava tão arraigado em mim. Passei meus 32 anos de vida sendo impactada pela ideia, direta ou indiretamente, de que o instinto masculino é, na maioria das vezes, incontrolável. No limite (ou dos que se consideram simplesmente mais sinceros, talvez), escutamos que, para os homens, por questões físicas e biológicas, uma eventual traição em um relacionamento monogâmico tradicional poderia ser inevitável já que o impulso é forte demais. E eu poderia entrar a fundo nessa discussão (mais do que necessária), mas minha conclusão de hoje é mais simples e igualmente poderosa: eu, assim como qualquer homem, tenho um órgão sexual sensível a estímulos diversos (ou melhor, o único órgão projetado exclusivamente para o prazer), esteja eu apaixonada ou não, envolvida emocionalmente ou não, vivendo um relacionamento ou não. E isso significa uma coisa (e apenas uma coisa): meu prazer também é físico e vale tanto quanto o de um homem. E eu posso e devo usar a ferramenta que quiser para explorá-lo.

Mas voltando ao meu primeiro vibrador: ganhar este objeto de um homem me parece um ótimo sinal. É a prova de que existe, no mínimo, uma intenção de se pensar o prazer feminino de outra forma, em uma outra ordem de importância e em um novo patamar nos relacionamentos. Eu, por exemplo, não me sinto no direito de colocar o peso do meu prazer, de eu gozar ou não, no outro. Me explico: estar com o outro é, na minha humilde opinião, uma das melhores coisas do u-ni-ver-so. Afinal, somos seres sociais, movidos pela construção de vínculos (em suas mais variadas formas de expressão). Mas estes momentos me nutrem de outras maneiras que vão muitíssimo além do estímulo clitoriano. O que quero dizer é que sinto que o meu prazer é minha responsabilidade, mesmo em uma relação permeada por trocas. Seja porque (com a vergonha guardada no bolso) expliquei o que gosto ou porque escolhi naquele momento “chegar lá” com ele – que deve sim se empenhar comigo, ok? – apesar de não depender de ninguém para isso.

Hoje posso dizer que o meu prazer é simplesmente meu – estando sozinha ou acompanhada. Com tempo para reflexão, desenvolvimento pessoal e as ferramentas certas, qualquer uma de nós pode ter essa mesma sensação. Eu te pergunto: você sente que o seu prazer é seu? Eu torço (muito!), trabalho duro e hoje escrevo para que sim.

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