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Motivo de chacota, repulsa, constrangimento… Quando o assunto é mau-hálito, a lista de julgamento é tão grande quanto o tabu que cerca o tema. Eu já tive halitose e ainda não me sinto confortável de dizer isso publicamente. O mau-hálito mexeu com meus afetos e ainda me persegue como sombra. Mas o melhor de tudo isso foi descobrir, ainda que tardiamente, que tudo poderia mudar com um hábito de 10 segundos diários. E isso não é uma publi.

O início de tudo

O ponto de partida dessa história aconteceu lá na adolescência, quando me vi diante da endocrinologista recebendo a notícia de que eu enfrentava um quadro de distúrbio alimentar. O anúncio caiu como uma bomba em um momento conturbado da minha vida, cheio de mudanças. Ousado seria dizer que ser adolescente é simples, né?

Com toda a relutância que não vem ao caso agora, dei início ao tratamento com especialistas. Ali, eu entrava para as estatísticas dos brasileiros que tomam remédio psiquiátrico. A entrada dos fármacos foi fundamental para que eu conseguisse superar o transtorno que tirou do eixo minha vida por completo. Ainda que psicológicos, esses tipos de transtornos provocam reações químicas que atuam diretamente na nossa plasticidade cerebral e os remédios foram fundamentais para que eu conseguisse regular esse processo químico.

Foram dois anos ininterruptos de tratamento até recuperar parte do meu peso, minha saúde ser restabelecida, identificar a razão do desequilíbrio e não perdê-la mais de vista. Então, fui dispensada do acompanhamento psiquiátrico e permaneci apenas na terapia. Estava livre dos remédios, mas não de um efeito colateral que passou a comprometer minha vida social dali adiante: o mau-hálito.

“Falar pouco e evitar pessoas se tornaram hábitos”

Meus pais me chamaram para uma conversa pra dizer que estava difícil ficar perto de mim: “o seu mau-hálito está insuportável”. No momento em que recebi o aviso, recordei uma série de situações que me davam indícios de que de fato a convivência ao meu lado não estava agradável. Na faculdade, um amigo havia me feito a todo custo aceitar um Halls preto de um jeito até grosseiro, diante de outras pessoas. O assunto mau-hálito vinha à tona com frequência nas rodas de conversas. E, meu sobrinho, então com 2 anos, demonstrava repulsa quando nos falávamos frente a frente. Criança não mente, dizem por aí, né?

É comum achar que mau-hálito é sinônimo de baixa escovação, mas não se aplicava a mim, que sempre fui muito regrada quanto a isso. Comecei então uma pequena peregrinação atrás de profissionais que pudessem me ajudar. Mas antes de achar a resposta, o mau-hálito minou minhas relações. Eu passei a evitar pessoas com as quais eu pudesse me envolver. Assimilei um modo de falar mais retraído para evitar expulsar muito ar da boca durante a conversa. Dizia pra todo mundo que gostava mais de ouvir e observar a falar sobre mim. E se, por acaso, eu ficasse com alguém, beijava segurando o ar numa tentativa de conter o bafo. Foram pouquíssimos os casos e nada ia pra frente.

“Minha boca cheirava lixo, e isso não é um exagero.”

Ouvi do meu pai: “assim, você nunca vai encontrar alguém”. E acabei desistindo mesmo de me aproximar afetivamente de qualquer um. Fiquei anos sem dar um beijo na boca e não tinha coragem de falar sobre isso nem com as amigas mais próximas. No trabalho, adotei uma postura extremamente calada. E me arrasava ver pessoas próximas colocando a mão na frente do nariz quando eu precisava apresentar algo em voz alta.

Procurei um gastro para entender se a origem do problema era estomacal. Sem sucesso. Consultei mais de um otorrino achando que uma coriza persistente pudesse ser a razão do meu mau-hálito. Nada resolvido. Quase me convenci de que não havia solução pra mim.

Apelei para o Google para encontrar formas de identificar os momentos mais agudos. Tentava passar a língua no pulso pra sentir o mau cheiro. Fazia uma concha com a mão para baforar, mas, ainda assim, não sentia nada. Só depois descobri que, quando se tem mau-hálito por muito tempo, é possível desenvolver uma condição de fadiga olfativa. É quando o nariz se acostuma ao cheiro da boca e já não alerta mais sobre o mau cheiro.

O fim da saga

Em meio a essas buscas, me deparei com um problema chamado “halitose”. Procurei uma clínica especializada, torcendo para não cruzar com nenhum conhecido na sala de espera. O tratamento era caro. Com a ajuda dos meus pais, dei andamento ao que precisava. Já na primeira consulta, a descoberta: para realizar os exames, era preciso salivar dentro de um potinho. Eu não tinha saliva suficiente pra isso. Fiquei um tempão no consultório para coletar alguns mL. E é aí que volto ao meu distúrbio alimentar.

Os remédios psiquiátricos reduziram absurdamente a minha produção de saliva. A baixa salivação aumenta a formação da saburra lingual, aquela capinha branca que se forma durante a noite e está cheia de bactérias e toxinas. São elas as responsáveis pela formação dos gases que provocam mau-hálito. Esse gás contém enxofre e é daí a relação do cheiro de lixo. Existem muitos outros fatores que levam a uma condição como essa, o estresse por exemplo é um deles.

Precisei tomar alguns remédios, cortar temporariamente alimentos feitos a base de leite, diminuir o consumo de proteína (porque as bactérias se alimentam dela) e aumentar o de alimentos cítricos que estimulam a salivação, além de beber muuuuita água regularmente. Para fechar o combo, veio junto a tarefa de raspar a língua todos os dias.

Fazia parte do ritual também ficar cara a cara com os meus pais e contar até dez para checar a melhora do hálito. Receosa de que não pudesse estar surtindo efeito, dava sempre uma segurada na projeção de voz para que saísse o mínimo de ar possível. Os resultados vieram em três meses.

O problema foi que, depois de dois anos, o mau-hálito voltou a me assombrar. Mesmo seguindo rigorosamente todas as recomendações médicas. A razão eu só descobri quando conheci a Holistix. Meu raspador era de plástico e já estava gasto, não eliminava mais a saburra por completo. Fiz a compra do Raspador de Língua, que ainda era de aço na época. Há três anos, me vi definitivamente livre do mau-hálito. Meus pais celebram isso, mês sim, outro também.

O Raspador virou parte importante dos meus dias. Vai comigo pra todo canto – inclusive pra dates com perspectivas de after. É quase um lembrete pra que eu viva sem noias. A minha reabertura para o mundo social veio, ainda que tardiamente (próximo dos 30 anos). Que bom seria se a gente conseguisse falar abertamente sobre o assunto, né? Até hoje, pouquíssimas pessoas próximas a mim já me ouviram falar sobre.

Durante as minhas buscas, descobri relatos de quem já perdeu até o emprego por conta do mau-hálito. E ainda que existam várias outras causas para o problema, pesquisas dão conta de que 90% dos casos são por conta da saburra lingual. Saber que um hábito de 10 segundos pode resolver grande parte deles é libertador. Muda a vida.

Raspador de língua 
A revolução da higiene bucal

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