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Nossa colunista e coach de desenvolvimento pessoal, Charis Carelli, fala sobre um dos mais naturais e corriqueiros tropeços da rotina: a procrastinação!

Vou começar esse texto fazendo uma confissão: eu procrastinei para escrever esse texto. Esperei as últimas horas de prazo para sentar o bumbum na cadeira e fazer o que precisava ser feito. Por que somos assim?

Essa parece ser a pergunta de um milhão de reais, e antes que você continue a rolar a tela eu já quero alinhar as expectativas e dizer que você não encontrará a resposta que vai te fazer eliminar a vontade de deixar pra última hora ou de nem fazer. Simplesmente porque isso é da natureza humana.

Dito isso, te peço pra continuar comigo, porque apesar de não te dar uma fórmula mágica eu vou sim fazer duas coisas por você. A primeira delas é explicar o motivo da procrastinação ser inerente ao ser humano e a segunda é te dar algumas ferramentas pra driblar esse mau hábito. Essa segunda não é a solução pra acabar com a vontade de procrastinar – eu adoraria, mas não tenho esse superpoder. Mas espero te ajudar a identificar quando isso acontece e o que fazer com o sentimento.

Por que procrastinamos? Simples: porque isso é uma forma de economizar energia. Antes de escrever esse texto eu estava deitada no sofá, num domingo qualquer. Fazendo o que? Descansando. Guardando energia. Nosso cérebro ama isso. Tudo o que gasta energia pode ser encarado como um potencial ameaçador a nossa sobrevivência.

Já falei em outro texto aqui, o nosso cérebro pesa de 1,5 a 2kgs, representando muito pouco do nosso peso total, mas, inacreditavelmente, ele consome até 25% da energia do nosso corpo todo. E é por isso que a procrastinação é o protetor mais rápido para evitar que a gente gaste essa energia. Guardar energia é condição básica para a nossa sobrevivência. Mesmo que eu saiba que não vou morrer se sentar pra escrever um texto, o meu cérebro interpreta que tudo o que cansa, ameaça. Ou seja: é uma questão fisiológica.

(para quem gosta do tema e quer se aprofundar, recomendo muito a leitura de Sapiens, do Yuval Noah Harari – uma verdadeita aula!)

Então agora que aceitamos que a procrastinação é comum a todos nós, você vai me perguntar: por que eu sinto que procrastino mais do que os outros, ou que a procrastinação é o karma da minha vida?

Meu primeiro palpite é que você seja uma pessoa extremamente autocrítica, por isso acha que seus erros são infinitamente mais graves do que o dos outros. E o meu segundo palpite é que você esteja se comparando com pessoas que também procrastinam, mas que o fazem em coisas menores ou menos importantes.

Explico. Eu não me considero uma pessoa procrastinadora de maneira geral – tirando o texto de hoje, juro. Mas sim eu procrastino, porque como conversamos lá em cima procrastinar é esperado no contexto de ser humano. O que eu faço normalmente é procrastinar arrumar uma gaveta de calcinhas, organizar uns documentos ou resolver algo no banco. Ou seja, coisas que não são importantes e que não estão relacionadas com as minhas verdadeiras prioridades.

Mas não, eu não procrastino saúde por exemplo. Não deixo o yoga para outro dia ou deixo de preparar no domingo as comidas da semana pra me alimentar bem. Por que? Porque saúde é prioridade e eu faço o que precisa ser feito mesmo quando não tenho vontade.

Então quando for procrastinar, pergunte-se se o que está sendo procrastinado é algo realmente importante na sua vida. É uma prioridade pra você? Se for, não se permita procrastinar, simples assim.

Vamos para as ferramentas?

– antes de aceitar a procrastinação, pergunte-se se você está deixando pra depois algo que pode mesmo ser deixado pra depois ou se é algo muito importante pra você;

– quebre os seus grandes desafios em pequenas atitudes diárias (ler um livro inteiro parece bem mais exaustivo para o seu cérebro do que ler 5 páginas por dia);

– facilite tudo o que puder para que as atitudes aconteçam, como já deixar a roupa da academia separada no dia anterior;

– comemore todas as suas vitórias, não importa o tamanho, pois isso dispara no seu cérebro uma sensação de bem estar que vai ser combustível pra você continuar;

– anote como você se sente sempre que terminar algo que precisa ser feito e enalteça essa sensação de dever cumprido, que inunda o cérebro de sensação de bem estar;

– tenha muita clareza do porquê é importante para você fazer o que precisa ser feito, sabendo exatamente qual é a vida que você está tentando projetar para si;

E por último, mas não menos importante: procrastinação e disciplina não são características, são atitudes. Quanto mais a gente repete uma delas, mais a gente fortalece essa atitude em nosso modus operandi. Sejamos espertas de fortalecer as atitudes que vão nos ajudar a chegar mais perto da vida que a gente sonha e merece.

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