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Uma análise de Gabrielle Picholari, terapeuta integrativa e consultora em autocuidado, sobre o poder do autoconhecimento em tempos difíceis

Se nos dermos a chance de olhar para coisas positivas que o período de isolamento social introduziu em nossas vidas, uma das mudanças mais significativas foi, com certeza, a chance de passarmos mais tempo em nossa própria companhia. Enquanto ficamos exclusivamente em casa, uma janela de oportunidade, nem sempre explorada e que pode ser assustadora para alguns, se abriu: a necessidade de nos conhecermos melhor.
O reencontro com a nossa essência amplia as possibilidades de trocas genuínas uns com os outros, e esse movimento traz a percepção de que há um lado positivo no isolamento social: maior conexão consigo mesmo e com as relações ao seu entorno.

A qualidade do seu diálogo interno espelha suas interações com o mundo.

Existem inúmeras formas de abordar o tema em questão, mas escolho um jeito conciso e didático citado no livro “A carícia essencial”, do psiquiatra e palestrante Roberto Shinyashiki. O conceito central é simples: carícias são o combustível do comportamento humano e elas têm o poder de reforçar ou enfraquecer as nossas condutas. Poderíamos substituir a palavra carícia por afeto, conexão… mas eu vou utilizar estímulos (que podem ser positivos ou negativos).

Em situações de isolamento, comumente a nossa tendência natural é agir como se estivéssemos recebendo os estímulos que necessitamos ou que já estamos acostumados. Tentamos manter a nossa rotina, o contato com quem amamos e a maneira como reagimos aos tempos difíceis. E apesar dessa sensação de “normalidade” ser importante, a busca pelo que está fora do nosso controle, quando em excesso, pode ser dura. Fica em cargo então do seu nível de autocompaixão – seu “reservatório” interno de gentileza e paciência consigo mesma – para entender se esses estímulos serão positivos ou negativos.

Nessa dinâmica, a maior parte das pessoas realiza um processo que se chama diálogo interno, ou seja, uma conversa dentro da própria cabeça, com perguntas e respostas, críticas, desculpas…
Vejamos como se forma o padrão autoestimulante de uma pessoa a partir de um exemplo: se uma criança tem um pai excessivamente crítico que a pune com palavras com frequência (estímulo agressivo), e uma mãe que responde à situação com pena (estímulo de lástima), ao longo dos anos esses sentimentos ambíguos são introjetados no inconsciente dela. E então, quando algo de errado acontece, a própria pessoa se diz:

‘Eu sou burra’ (autoestímulo agressivo)
‘Coitadinha de mim’ (autoestímulo de lástima)

Por meio desse diálogo interno, satisfazemos nossa necessidade de estímulos. E se antes do período de isolamento nós já lidávamos com essa questão em meio à correria da rotina, na pandemia o sentimento foi amplificado. Nossa percepção sobre as vozes que nos habitam, que frequentemente carregam críticas excessivas, perfeccionismo e inseguranças, ficou mais clara e evidenciou a necessidade de olharmos para dentro.

Podemos dizer que, algumas pessoas escutam tantos nãos ao longo da vida que acabam sentindo o que chamamos de “medo indiscriminado”. Quando têm qualquer desejo, pensam restritivamente que “eu não posso fazer isso” ou imediatamente se sentem julgados pelo próximo. A essas pessoas, é possível imaginar que faltaram permissões quando eram crianças, e que a alegria de viver gira em torno dessas condições.

Permissão para simplesmente viver.
Permissão para ser feliz e ser autônoma.
Para sentir as próprias sensações.
Para sentir e demonstrar as emoções.
Para desfrutar a vida, o contato com as pessoas, as interações.
Para pensar, decidir e realizar a própria vida.

Mas é importante analisar a situação com cautela. Todos nós temos permissões e proibições para algumas camadas e problemas da vida. É natural, não se pode ter tudo, mas é inegável que essas autorestrições podem limitar os nossos passos e escolhas de algumas maneiras. Por exemplo: pessoas que se sentem muito confortáveis com rotinas que exigem uma dedicação de 100% do seu tempo ao trabalho, mas não são abertas para se relacionar. Os problemas são sustentados por permissões e proibições exageradas.
Por isso, é necessário que saibamos da importância de nos dar as permissões que nos faltam, e de desconstruir as proibições que temos internalizadas. O isolamento abre uma janela para nos conhecermos e ampliarmos a conexão com nós mesmos. Contudo, se não há qualidade em nossos diálogos internos, ou seja, a partir do momento em que a voz interna em vez de compassiva e apoiadora se torna algoz, a qualidade de nossas interações com o mundo está comprometida.

De todas as incertezas que enfrentamos, uma coisa é certa: o autoconhecimento e as habilidades socioemocionais nos garantem um senso maior de identidade e propósito coletivo. E esses aspectos serão cada dia mais essenciais para o bem-estar e produtividade no mundo que navega em complexas transformações sistêmicas. E no centro de todas elas, existe a vulnerabilidade.

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