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Especialistas no assunto falam sobre o que é realmente essencial para a saúde afetiva dos amores que desafiam fronteiras

Vamos ser sinceros: se envolver em um relacionamento não é uma tarefa simples. Afinal, por mais genuíno e simples que seja o amor, estar aberto ao outro e às nossas fragilidades exige coragem, dedicação, empatia… A lista é longa, mas é consenso que as dores e delícias de dividir a vida com quem amamos (quase) sempre vale a pena. Porém, o que acontece quando esse alguém mora em outra cidade, ou até em outro país? Apesar da suposta certeza de que “relacionamentos à distância não são pra mim” ser muito comum entre os que nunca se aventuraram a ter essa vivência, nós fomos atrás de especialistas – e experientes – no assunto para entender, de uma vez por todas, o que é realmente necessário para o sucesso dessas relações.

Segundo a psicóloga Adriane Branco, especialista em Sexualidade Humana pela USP e em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS), a distância física é sim responsável por potencializar muitos dos desafios diários da convivência a dois, mas pontua que esse não é o principal problema. “Quando falamos de relacionamentos à distância, é importante entender que o aspecto geográfico em si não é o vilão, senão casais que moram na mesma cidade não enfrentariam desentendimentos. O problema é que, com menos convivência, administrar o ciúme, a solidão, a saudade, as necessidades sexuais e as inseguranças individuais acaba sendo mais difícil”.

Para a produtora audiovisual Tetê Andriolli, 29, que vive uma experiência à distância (ela mora em São Paulo e seu namorado, o jornalista Teo Cury, em Brasília), existem quatro principais pilares responsáveis pela sustentação desse laço: confiança, respeito, diálogo e compreensão. “A confiança e o respeito andam juntos, já que é normal que, em relacionamentos à distância, cada um viva a sua vida na cidade que está morando. Então, é muito importante que você confie no seu parceiro, para não gerar crises de ciúmes, que acabam em discussões”, explica.

Tetê conta que, quando esses pequenos incômodos acontecem, o diálogo imediato é essencial – aqui, as conexões online ajudam muito. “Ao contrário de pessoas que moram na mesma cidade, nós não podemos esperar o momento que vamos nos encontrar para falar sobre o que nos incomoda. O importante é não deixar esse sentimento e mágoa se postergarem. Em longo prazo, isso desgasta muito a relação. E outro ponto é a compreensão de que cada um está vivendo o seu momento. A pessoa em uma cidade, você em outra, cada um tem o seu horário, seus afazeres, e entender isso é fundamental”.

Sem dúvida, a rapidez das conexões proporcionadas pela vida online facilitou muito essa dinâmica – e até encorajou aqueles que nunca cogitaram a experiência, principalmente durante a pandemia. Não à toa, as ações do Match Group, dono do Tinder, avançaram mais de 200% desde março passado por conta do crescimento dos usuários pagantes da função “Tinder Gold”, que permite que o usuário dê “match” com pessoas que estão em qualquer lugar do mundo. “Para aqueles indivíduos que já mantinham um vínculo afetivo, mudar os encontros presenciais para encontros virtuais inicialmente trouxe algumas dificuldades, pois a carência afetiva aparece, a necessidade do carinho através do toque é algo sentido, entre outros. Entretanto, se o casal está bem afinado na relação, acaba por encontrar maneiras de driblar essas carências”, comenta Adriane.

Em diferentes escalas, lidar com os impactos da distância no último ano também foi uma realidade sentida por muitos casais. É o caso da comunicadora e cofundadora da plataforma Beauty Insight, Carolina Leal, 23, que viu seu relacionamento se transformar nos últimos cinco meses, quando seu namorado, Ricardo, se mudou para Munique, na Alemanha. “Para mim, confiança e admiração são a chave. Quando não estamos juntos fisicamente, essa necessidade é ainda mais real. Quando admiramos o outro, você quer muito e torce para que ele conquiste coisas. Isso tira um pouco o peso e a culpa da pessoa estar longe de você, porque você admira e quer que ela cresça. É sobre confiar em um futuro juntos e, no meu caso, eu sei que esse distanciamento é apenas temporário”.

Se casais que vivem separados no mesmo estado ou país já sentem as dificuldades de manter a comunicação em dia, para quem desafia a distância entre continentes é ainda mais complicado. “Por conta do fuso horário, o mais desafiador é a falta de comunicação. Cada um tem uma rotina e suas tarefas, e conciliar tudo não é fácil. Uma coisa que estamos fazendo agora e que tem sido muito gostoso é assistir a séries juntos. Todos os serviços de streaming agora têm essa função. A gente se liga, conta 3,2,1 juntos e ficamos comentando sobre o filme. É um jeito de ficar junto, mesmo que longe. No começo, eu achava estranho, mas hoje sinto que ele está do meu lado quando fazemos isso”, completa Carol.

A ideia vai de encontro com o proposto por Stella Azulay, fundadora da Escola de Pais XD e especialista em Neurociência Comportamental. Segundo ela, existem caminhos para garantir um bom relacionamento à distância – anota aí: usar as conexões virtuais para compartilhar cada momento, conseguir expressar sentimentos através de palavras, fazer com que o outro sinta-se parte de seu dia a dia e de suas decisões, dar apoio e demonstrar amor de forma criativa e sincera. “Saber verbalizar as emoções é crucial numa relação à distância para manter a positividade”, completa.

“Desde o dia em que o Teo recebeu a proposta de morar em Brasília, nós nunca cogitamos terminar. O ‘o que vamos fazer agora?’ não foi uma questão. Relacionamento é uma escolha, você escolhe estar com aquela pessoa. E para nós nunca houve uma segunda opção, nós queríamos continuar compartilhando a vida mesmo que separados fisicamente. A gente se gosta muito, contamos um com o outro e nos escolhemos todos os dias”, conta a produtora Tetê Andriolli. “E assim como toda escolha, independente da distância, requer vontade e disposição”, finaliza. E não é?

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