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Nossa colunista e coach de desenvolvimento pessoal, Charis Carelli, fala sobre como ter um hobby pode ser, além de um passatempo, uma ferramenta de autoconexão

Esses dias eu estava assistindo um seriado em inglês com legenda. Em dado momento, uma das personagens está falando sobre hobbies e percebo que a palavra foi traduzida para o português como “passatempo”. Confesso que fiquei bastante desconfortável.

Eu concordo que um hobby seja uma maneira de passar o nosso tempo, mas em um mundo onde tempo é dinheiro e não temos tempo para nada, chamar hobby de passatempo me soou quase como uma provocação.

Como eu poderia querer jogar tempo fora com a quantidade de pendências a resolver, pratinhos a girar e papéis a cumprir? Vivemos correndo, tentando ser sempre mais rápidos que boletos, imprevistos e pepinos. Parar para ter hobby? Fica pra outro dia – ou outra vida.

Há muito tempo eu levanto uma bandeira que considero bastante importante: VC não é o seu CV. Nós não precisamos (nem devemos) nos reduzir ao nosso trabalho / profissão e deixar de escanteio todo o resto que pulsa dentro de nós. Se você trabalha com algo que ama, pode ser que essa conversa não te pareça tão urgente – apesar de ser igualmente importante. Mas se o seu trabalho não te brilha os olhos, certamente um hobby poderia fazer muito por você.

Poderia, por exemplo, te proporcionar um momento de autoconexão. Um espaço no tempo em que você faz algo que gosta e descobre em si várias coisas sobre você: um talento, uma paixão, uma habilidade. Uma forma leve e eficaz de traduzir e vivenciar autoconhecimento, né?

Há também uma outra ótica, onde o hobby pode ter um papel de lazer ativo. Uma maneira de criarmos conexões neurais (ligação entre os neurônios, as chamadas sinapses) e usarmos a plasticidade do cérebro: aprender a aprender, cada vez uma coisa nova. Com isso, podemos fortalecer a nossa criatividade através de um delicioso ócio criativo e ganhar novos pontos de vista sobre nós e sobre o mundo.

E por último mas não menos importante (pois esse assunto é emergencial!), gosto de enxergar o hobby como uma poderosa ferramenta de manutenção da nossa saúde mental. Um momento terapêutico, onde faço algo apenas pelo prazer de fazer, sem qualquer pressão ou expectativa do resultado que está por vir. Em tempos onde “perfeccionismo” parece ter virado o sobrenome de todo mundo, isso seria uma baita terapia não?

(nota óbvia mas importante: não estou sugerindo que um hobby substitua o processo terapêutico)

Então sim, no meu entendimento hobby pode até ser passatempo, mas é MUITO mais do que isso. É autoconexão, autoexpressão, autoconhecimento. Todos esses “autos”, tão importantes, levam a gente de volta pra dentro – um lugar que muitas vezes esquecemos de visitar.

saúde mental

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