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Com 8 mil terminações nervosas, medindo 10cm em média e fonte primária do prazer feminino, preparamos um dossiê completo de tudo o que você precisa saber sobre o clitóris

Não é novidade para ninguém que as partes íntimas femininas sempre foram tratadas como tabu. “Pepeka”, “perereca”, ”piriquita”, “pipi”… O que não falta é apelido pra mascarar o verdadeiro nome da nossa conhecida vulva. E isso, claro, escancara também a falta de conhecimento sobre a sua anatomia e funções. Você, por acaso, já colocou a sua frente a frente ao espelho?

A genitália feminina é bastante complexa. Nessa observação minuciosa é possível identificar a parte externa – chamada de vulva – e todas as suas áreas: lábios externos, lábios internos, prepúcio, clitóris, abertura da uretra e abertura do canal vaginal. Além claro, dos pelos pubianos que há muitas gerações permanece na longa lista de tabus femininos. Já a vagina é o canal que leva ao colo do útero e útero, ou seja, corresponde à parte interna das genitais femininas. 

Vamos falar sobre a vulva?

Ela é tão única quanto as nossas impressões digitais. Isso mesmo, todas são diferentes e exclusivas. Existem diversas ilustrações e desenhos que acabam padronizando ela por aí, mas a verdade é que isso nos dá uma ideia limitante sobre o aspecto físico da vulva – e pode gerar complexos danosos para a nossa saúde mental.

Com diferentes cores, formatos, pelos e simetrias, a aparência da vulva é muito plural e todas elas são igualmente normais. 

Ter consciência sobre o seu corpo é explorá-lo tanto sexualmente, como também para fins de saúde. A fisioterapeuta pélvica Ana Gehring, do perfil Vagina Sem Neura, conta que mais do que desconhecimento, ela encontra alienação em parte de suas pacientes quando se trata de sexualidade feminina. “Hoje em dia é muito simples encontrarmos informações sobre os nossos corpos. Basta uma pesquisa rápida no Google e podemos ver matérias bem descritas, imagens reais e todos os pontos que precisamos saber. Mas a realidade é que a maioria das mulheres não tem o hábito de olhar para a própria vulva! E quando vão a uma ginecologista e são perguntadas há quanto tempo têm um sinalzinho ali, um corrimento aqui, não sabem responder. E não há desculpas: todo mundo tem um minutinho pós banho, ao menos a cada três meses, para se observar, ver se está tudo bem, e conferir como está o seu ‘contrai e solta’”, alerta ela, referindo-se também à prática de pompoarismo.

Um passeio definitivo pelo clitóris

A grande origem do prazer vem desse órgão, que por fora parece um botãozinho, mas  vai muito além disso. Ele mede dez centímetros, em média, e possui uma grande parte interna que se encaixa entre a vulva e o monte de vênus (onde ficam nossos pelos pubianos e osso púbico). 

O botãozinho visível do clitóris, chamado de glande, é a parte com mais terminações nervosas do órgão — sendo a mais sensível e, com estimulação direta, é a fonte primordial do orgasmo.

E a sua estimulação (com a mão ou brinquedos sexuais) é o caminho mais poderoso rumo ao prazer feminino. Orgasmo só via penetração ou acompanhada é mito. Um estudo do Departamento de Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos da Universidade de São Paulo (USP) deu conta de que 55% das brasileiras não conseguem ter orgasmos durante o sexo com outra pessoa. 

É importante ressaltar que todo orgasmo tem fonte clitoriana. O canal vaginal possui, sim, terminações nervosas e é sensível ao toque. Entretanto, não se compara às mais de 8 mil terminações nervosas do clitóris, que também tem sua parte interna envolta ao canal vaginal — deixando tudo ainda mais prazeroso.

Por isso, acompanhada ou sozinha, foca no clitóris! A glande pode ser estimulada de muitas formas diferentes e não há jeito certo ou errado, mas sim o que funciona para cada pessoa. O importante é praticar! Só assim você vai entender quais são as zonas erógenas mais poderosas do seu corpo. E elas são muitas, viu? Não necessariamente se encontram nos seios ou nas genitais).

Entendendo o seu corpo e como você sente prazer, fica muito mais simples de chegar ao orgasmo sozinha e até acompanhada. Ana, fisioterapeuta pélvica do Vagina Sem Neura, diz que “Dependendo da dose é remédio, dependendo da dose é veneno. O equilíbrio é tudo! Sentir prazer e se masturbar todo dia é normal – se não está te machucando ou afetando o seu trabalho, seus estudos e seu dia a dia, tá tudo certo! O orgasmo estimula a nossa lubrificação natural, secreta endorfina, serotonina, e tudo isso é saudável: colabora para o relaxamento, uma melhor noite de sono e ajuda nas cólicas menstruais.”, explica.

Por que sabemos tão pouco sobre o clitóris? 

De acordo com a Scientific American, a história só reconheceu o clitóris na Grécia Antiga. Ou seja, levou cerca de 2.000 anos — diferentemente do pênis, que sempre foi alvo de muitas pesquisas e estudos. Por tabu, motivos culturais e religiosos, a sexualidade feminina sempre foi preterida, ainda que o clitóris seja o único órgão da anatomia humana designado exclusivamente para o prazer e com 8 mil terminações nervosas – enquanto o masculino varia entre 4 e 6 mil. 

No vídeo abaixo tem uma recapitulação histórica da descoberta do clitóris. Solta o play!

No botão “CC” dá pra adicionar legendas em português!

Durante muito tempo o clitóris só foi descrito como um órgão homólogo ao pênis, com a mesma origem embrionária. É fato que, tal qual o pênis, ele também se enche de sangue e fica ereto quando excitado. Mas a comparação é injusta.

Enquanto o genital masculino também exerce uma função importante do aparelho urinário, o clitóris, além de concentrar todas as terminações nervosas em uma pontinha do tamanho de uma ervilha, tem como único objetivo nos dar prazer.

Porém, foi só nos anos 90 (muito recente!) que ele ganhou o protagonismo merecido, graças à tese de doutorado da cirurgiã e urologista australiana Helen O’Connell. Toda a vascularização e inervação do órgão foram estudadas e analisadas por ela.

Helen conta que passou 10 anos estudando a fundo o clitóris e que ainda realiza pesquisas sobre ele. “O livro de anatomia no qual estudamos para ser cirurgiões era inadequado. Flagrantemente errado. Isso me deu uma pista de que poderia haver um problema maior. E provei que havia. Muitos livros, também textos ginecológicos, a maioria da literatura médica moderna, apresentavam erros ou imprecisões. A Anatomia de Gray, uma espécie de Bíblia para nós, era francamente inexata. Afirmava que o clitóris é como o órgão masculino, apenas menor e não o descrevia.”, conta ela em entrevista ao El País.

Ana Gehring, também apelidada carinhosamente de ‘Vagi’ pelas seguidoras do perfil, explica que a falta de informação sobre a sexualidade feminina afeta até a escolha de um vibrador, por exemplo. “Muitas mulheres chegam e me perguntam qual é o melhor vibrador. Mas aí eu digo, ‘Mas qual é a tua dificuldade?’, ou então, ‘O que você busca melhorar? É uma maior sensibilidade do lado de dentro? Algo que te estimule por fora? Você prefere mais pressão ou menos pressão?’. Essa falta de conhecimento sobre os nossos corpos faz com que as mulheres percam as suas vozes. Muitas, inclusive, não sabem ao menos se têm uma boa lubrificação. Por isso, buscar aprender e pesquisar mais sobre seu corpo te ajuda a saber o que é melhor para você.”, aconselha.

Ainda existe um longo caminho a ser percorrido, mas é importante reconhecermos que, quanto mais falarmos sobre e esclarecemos pontos sobre a sexualidade feminina, mais avançamos.  

A fisioterapeuta pélvica Ana Gehring dá uma dica às mulheres que ainda não se masturbam por vergonha ou falta de conhecimento: “Meninas, vocês precisam entender que a vagina de vocês é sagrada! É possível gerar uma vida por ali, é possível sentir prazer, se sentir mais criativa, se sentir mais no controle e pronta para tomar decisões sobre você e sobre o que é melhor para você. Eu sei que ainda existe muita vergonha, muita culpa envolvida  – e isso não é à toa. Tudo isso vem muito da nossa criação, nossas mães e avós passaram por uma pressão negativa ainda maior do que na nossa geração. Nós precisamos encarar isso da seguinte forma: se é o seu corpo, faz parte de você, é sagrado. Se você não tem vergonha do seu nariz, por que teria da sua vagina?”, brinca.

Outra sugestão valiosa é entender que a sua sexualidade e seu prazer dizem respeito apenas a você. Vagi também alerta: “Você não coloca o dedo no nariz em público, certo? Também não tira sujeirinha dos dentes na frente de todo mundo. Com a masturbação é a mesma coisa: o que rola dentro de quatro paredes cabe somente a ti. Desencane dessa vergonha, começa a se tocar no banho, com delicadeza e atenção. Isso já é um enorme passo!”.

Prazer e sexo não devem ser tratados como tabu, já que fazem parte da natureza humana e fomos biologicamente programados para isso. O clitóris é uma grande prova de que sentir prazer e chegar ao orgasmo é, sim, natural!

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