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Eu queria te dizer que ficar um mês sem beber é muito mais fácil do que você imagina. Que você vai se sentir ótima desde o dia 1 e que você nunca mais vai sentir falta de um drinkzinho na mão. Mas o que eu tenho pra contar hoje é diferente: é desafiador? Sim. É possível? Com certeza. Vale a pena? DEMAIS. E eu tô aqui pra compartilhar meus aprendizados e dicas – tudo o que eu queria ter lido antes de começar essa (valiosíssima!) jornada.

O Impulso

Quem me conhece sabe o quão disciplinada e resiliente eu posso ser. Vivo fazendo testes no meu corpo para aprender (sentindo na pele) o que me faz bem realmente. Mas dessa vez a ideia não foi minha: meu namorado – um super apreciador de cervejas & rolês alcoólicos – estava curioso para saber se o hype da sobriedade era real depois de me ouvir falando sobre meus períodos álcool-free na pandemia e conviver com seu irmão que não bebe há anos. E é aí que vem o primeiro – e talvez mais importante – aprendizado: passar por isso em dupla foi fundamental. Sinceramente, se não fosse isso, eu teria desistido no primeiro fim de semana. E explico o porquê.

Baque número 1

Expectativa: passar um mês tranquilo, aproveitando pra descansar e colocar a vida em dia. Realidade: logo no sábado seguinte lembrei que tinha um show para ir. Frio, multidão, uma infinidade de bares e aquele clima de festa. Juro que achei que não daria conta. Foi quando decidi que focaria em viver 30 minutos por vez: a cada meia hora eu renovava meus votos comigo mesma e me perguntava se conseguiria aguentar mais um tempinho. A resposta – pelo menos para aqueles próximos minutos – era sempre “sim”. Aprendi que ficar pensando o quão difícil seria ficar 30 dias me segurando seria insuportável e que o melhor jeito de passar por tudo isso era vivendo um dia por vez.

Uma ode aos domingos sem ressaca

Pausa nesse relato para apreciar a beleza de um pós-rolê sem ressaca: noite bem dormida, muita disposição e zero ansiedade. Já é sabido que o álcool [dado sono e ansiedade]. Eu sinto tudo isso e mais um pouco e confesso que fui resistente ao admitir que era ele, o senhor drink, o que me levava para este lugar dia sim, outro também. O que significa que pra mim as 24 horas seguintes ao show foram apenas perfeitas. Uma sensação ú-ni-ca.

Depois do primeiro NÃO…

…Fica tudo mais fácil. Me explico: passei alguns períodos sem beber na pandemia e, à medida que o tempo passava, foi ficando cada vez mais fácil. Achei que viveria a mesma experiência neste mês também, mas não foi tão simples assim. Percebi que estar trancafiada em casa facilitou muito o processo, já que não tinha tentações externas e estar em um ambiente com mais gente bebendo é um gatilho pra mim. Porém, reparei que o mais difícil era o primeiro não. Depois de compartilhar com quem estivesse ao redor que não estava bebendo e escolher o primeiro drink sem álcool da noite, a agitação passava e ficava mais fácil seguir em frente. Aliás, este é um hábito que pretendo manter: quando estiver sedenta por um drink, antes de começar a beber vou pedir, antes de tudo, algo sem álcool. Sinto que pode me ajudar a respirar fundo e não exagerar.

Um novo olhar

Sempre fui das que estava com um copo na mão em qualquer situação social. A que animava todo mundo, fazia besteiras e se divertia sem filtro (o que aprovo 100% e me faz muito bem, ok?). Porém, foi curiosíssimo observar os outros bêbados ao meu redor. Por um lado, engraçadíssimo. Por outro, deprimente. Foi perceptível o quanto muitos de nós usamos o álcool para se dissociar do próprio corpo e é um pouco assustador perceber o quanto este impulso fica, tantas vezes, descarado. Foi inevitável pensar: que mensagem eu passo quando estou neste mesmo estado? Que exemplo eu dou com essa falta de autocontrole? Esse alguém que viro alcoolizada reflete o que eu quero ser? E mais: será que quando bebo em grupo estou realmente me conectando com outras pessoas ou simplesmente me desconectando de mim mesma?

Mas, afinal, por que eu bebo?

O que ficou claro pra mim é que o real problema da minha relação com o álcool está na motivação que tenho para beber. Às vezes, é só relaxar depois de uma semana intensa e ele pode, sim, ser uma ferramenta. Mas, muitas e muitas vezes, é uma fuga do mundo real. O preenchimento de um vazio, uma necessidade absurda de se desconectar das minhas questões atuais ou uma vontade quase que incontrolável de se descolar do que está se passando aqui e agora. A conclusão é que beber não só não me ajuda em nada a tratar a causa-raiz desses gatilhos, como justo me leva pra mais longe de uma potencial solução.

O veredicto

Valeu a pena. Mas doeu (muito!). Essa dificuldade me fez pensar que esse buraco é bem mais embaixo e, por isso, vou ter que aprender a lidar com ele ao invés de fugir dele. E daí surgiram meus novos combinados:
Períodos de sobriedade são e serão valiosos ao longo da vida. Já sei que sou capaz de passar por eles e a perspectiva que conquistei tem muito valor.
Porém, pode até fazer sentido encaixar um drink ou outro na rotina. Concluí que para pessoas que, como eu, têm facilidade e até uma certa tendência à regras, rigidez e restrições – o que pode causar uma compulsão ou lapso arrebatador em um deslize qualquer – gerenciar o consumo ao longo do mês pode ser mais interessante e esclarecedor do que bani-lo.
Não pretendo beber em dias de semana. Ponto. Neste ponto, a conclusão foi claríssima: álcool é um ladrão de tempo, energia e bom humor do dia seguinte. Estar mais lenta ou indisposta em um sábado, tudo certo. Numa quinta de trabalho, não vale o crime.
Antes de decidir o que e se vou beber algo, paro pra pensar: da onde realmente vem essa sede? Se me sinto no eixo, vou em frente. Se não, paro 3 minutos para escrever sobre o que estou sentindo ou respirar fundo (nem que seja no banheiro do bar) para pelo menos identificar minha motivação de fato. A chance de exageros depois de uma parada estratégica é infinitamente menor.

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